Mostrar mensagens com a etiqueta As nossas leituras 2011. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta As nossas leituras 2011. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Último Livro

Um cliente da livraria Papyrus morre sem causa aparente enquanto folheia um livro. O inspector Lukic é chamado a tomar nota da ocorrência. No espaço de poucos dias as mortes sucedem-se e Lukic, grande amante de literatura, vê-se confrontado com um livro mortífero, um novo amor, a interferência dos serviços secretos; e tem ainda de lidar com os seus mais íntimos fantasmas.
A um ambiente de suspense e investigação, junta-se o fantástico e a explicação para estas mortes será tudo menos simples.
Segundo livro de Zoran Zivkovic a chegar até nós, o Último Livro é de leitura compulsiva.
Regina

terça-feira, 19 de abril de 2011

Pequena Abelha

Este livro vem envolto em mistério e isso aguçou a minha curiosidade. A técnica de marketing resultou plenamente, mas, em abono da verdade, o texto não precisa dessas artimanhas pois é de facto muito bom.
Abelhinha é uma refugiada Nigeriana há dois anos num centro detenção de ilegais em Inglaterra, a sua libertação vai levá-la até Sarah enquanto nós vamos descobrindo dois mundos diferentes e o que une estas duas mulheres.
Com capítulos narrados em alternância na primeira pessoa pelas duas mulheres, Chris Cleave coloca-nos no centro de questões existenciais mas também da intimidade de ambas e de dois mundos que apesar de tão diversos são, no essencial, tão próximos.
Com uma escrita que nos envolve desde a primeira até à última linha, estamos perante um livro que nos surpreende e que nos deixa, apesar de todo o Mal que nele consta, uma réstia de esperança na Humanidade.
Regina

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sempre que penso em ti

Ana Sands foi evacuada de Londres, em 1939, assim como milhares de outras crianças, para ficarem protegidas dos eminentes ataques aéreos. Teve a sorte de ficar num casarão no campo, onde teve aulas, fez novos amigos, descobriu, conheceu, explorou e presenciou coisas que jamais imaginara. Ana é uma criança curiosa e inquieta e acaba por ver no professor Ashton, dono da propriedade, um modelo a admirar. Tudo corre bem até que se sucedem algumas tragédias, que irão alterar por completo o rumo da sua vida e de outras pessoas também, onde o amor ou a falta dele são, em última instância, o tema transversal.
Embora o título e a capa sejam característicos de uma literatura light, o livro não o é. Foi finalista do Orange Prize e também do Amazon Rising Stars e é um livro de leitura bastante acessível, não chegando a grandes banalismos nem a uma escrita demasiado elevada, pelo que penso que poderá ser lido por qualquer pessoa que procure uma história com um enredo que se torna interessante ao longo do livro, embora seja possivelmente mais do agrado do público feminino.

Patrícia

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pergunta ao pó

John Fante, escritor Americano que viveu entre 1909 e 1983, só começou a ser devidamente reconhecido após a sua morte tendo sido fonte de inspiração para autores como Jack Kerouac e Charles Bukowski.
Nesta minha segunda incursão pela sua obra deparei-me com um protagonista que já tinha conhecido na minha leitura anterior deste autor: Arturo Bandini.
O jovem, considerado por muitos o alter ego de John Fante, mudou-se do seu Colorado natal para a Los Angeles dos finais dos anos trinta. Aí tenta encontrar inspiração para a escrita. Com um conto publicado vê-se perseguido pela angustia da falta de ideias para a escrita, da escassez de dinheiro, da solidão de uma cidade inóspita. É no meio deste cenário que trava conhecimento com Camilla, uma jovem empregada de mesa, por quem irá nutrir uma relação de amor/ódio que terá um desfecho dramático.
Mais uma vez estamos perante personagens que não se sentem bem na sua pele e que não conseguem adaptar-se às circunstâncias de uma vida tão diferente dos sonhos. Destaque também para um constante sentimento de culpa e remorso provocados por uma educação católica repressiva e castigadora.
Regina

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Victoria

Johannes é filho de um moleiro. Victoria é a menina do castelo. Entre ambos o amor é impossível, no entanto as vidas de ambos vão girar em torno dele: Johannes inspira-se neste amor para escrever, Victoria, cuja família entretanto perde a fortuna, irá viver dilacerada por ele até à sua morte.
Escrito em finais do século XIX, estamos perante um romance de extrema delicadeza e sensibilidade. É tanto o que o autor escreve como o que se deixa adivinhar, sempre com uma grande envolvência poética que nos faz lembrar os grandes clássicos quer da literatura como do teatro e do cinema. Mais uma pérola que a Cavalo de Ferro nos traz.
Regina

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Os Demónios de Berlim

Depois de há dois anos ter travado conhecimento com a escrita de Ignacio Del Valle por intermédio do seu romance A Arte de Matar Dragões, decidi repetir a dose e embrenhar-me neste relato da derrocada do reich.
A acção passa-se precisamente nos dias anteriores à queda de Berlim às mãos dos Sovieticos e Arturo Andrade, um Espanhol em serviço na Alemanha, vê-se envolvido numa investigação que o levará a cruzar-se com muitas figuras centrais do poder nazi.
Num cenário de destruição total o que pode um homem? Até onde podem ir os demónios que encerramos? É possível a sobrevivência sã neste contexto? Qual o papel do amor?
O desenlace desta investigação é simplesmente a confirmação das respostas a estas perguntas que o protagonista se vai ( e nos vai) colocando.
Um bom romance, mistura de thriller e romance histórico que nos faz um retrato duro da guerra.
Regina

terça-feira, 29 de março de 2011

Ru

A guerra do Vietname chega-nos neste livro sob uma perspectiva diferente daquela a que estamos habituados: Kim Thúy, a autora, nasceu em Saigão e dá-nos a perspectiva das vítimas civis desta guerra.
Oriunda de uma família bem posicionada social e economicamente, transmite-nos os sentimentos, os medos, as mudanças originados por um conflito que foi antes de mais uma sangrenta guerra civil. Os campos de refugiados, a fuga para o exílio e a adaptação a uma sociedade tremendamente diferente, são alguns dos assuntos abordados com grande subtileza pela autora.
Escrito sob a forma de capítulos muito breves-na sua maioria de uma só página- este livro alerta-nos para o horror e a incompreensão que muitas vezes perduram muito para além do fim dos conflitos.
Saliente-se ainda a atribuição dos prémios Lire e Governor General a esta obra.
Regina

sexta-feira, 25 de março de 2011

Regresso às raízes

Owen cresceu dividido entre um lar desfeito e um avô pastor e casmurro. Muitos anos mais tarde a sua vida é inesperadamente destruída e após algum tempo de luta e desespero a única solução é o regresso às raízes.
Construída de forma invulgar esta história de busca interior é-nos contada com extrema sensibilidade e ternura tendo como pano de fundo o campo Britânico.
Tendo tido uma excelente recepção por parte da crítica, este foi já considerado o melhor dos cinco romances de Tim Pears.

Regina

terça-feira, 22 de março de 2011

Hotel du Lac

O cenário onde este romance se desenrola é, como o título nos indica, o Hotel du Lac junto ao lago de Lehman na Suiça. A protagonista é uma escritora de sucesso Inglesa que após se envolver numa situação problemática se vê forçada a este exílio. Os dias tranquilos do final de Verão serão uma oportunidade de auto-descoberta e ditarão uma viragem na vida de Edith.
Somos introduzidos num ambiente quase exclusivamente feminino em que as aparências são essenciais e os objectivos de vida são maioritariamente fúteis.
A escrita muito simples lança muitas questões de forma subtil. Um livro facilmente recomendável e que levanta um pouco o véu sobre o intímo feminino.
Acrescente-se que este romance valeu o Prémio Booker a Anita Brookner.
Regina

segunda-feira, 21 de março de 2011

No mar há crocodilos

Tal como nos é dito logo na capa, esta é "a história verdadeira de Enaiatollah Akbari". A história deste rapaz começa no Afeganistão, o seu país de origem, quando ele tem, segundo calcula, cerca de 10 anos. A sua mãe leva-o para um abrigo para refugiados no Paquistão e aí o abandona, para que fique mais protegido. Começa então a sua luta pela sobrevivência, com tudo o que implica viver como um clandestino, desde o trabalho ilegal, o medo da polícia, a fome, sempre fugindo de país em país em condições desumanas e de alto risco, até encontrar o lugar ao qual chamar casa - que será aquele onde ninguém, pelo menos, lhe faça mal.
Uma história de vida e de transformação incrível, contada por Fabio Geda sem grandes dramatismos ou moralismos, quase parecendo que não são horrores o que nos é narrado, mas sim aventuras.
Patrícia

sábado, 19 de março de 2011

O Grande Gatsby

Como pode um pequeno livro escrito há quase 100 anos ser tão marcante ainda nos dias de hoje? O Grande Gatsby só tem de pequeno o seu volume pois a história que F.Scott Fitzgerald nos conta é, na sua simplicidade, de grande qualidade.
Jay Gatsby é um milionário cuja vida vazia e solitária é de um exibicionismo constante e marcada pela falta de escrúpulos. O narrador cruza-se com ele durante um fatídico verão em que os sonhos de juventude e a inocência são destruídos. Desta relação fica um retrato amargo sobre o estilo de vida desta "Sociedade" de Long Island e sobre o oportunismo humano.
Regina

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Hora da Morte dos Pássaros


A Hora da Morte dos Pássaros reúne 8 contos de Ignacio Martínez Pisón (autor de Dentes de Leite, entre vários outros livros), sendo alguns inéditos. Estes contos belissimamente escritos falam-nos das relações humanas e dos sentimentos daí emergentes, em diversos contextos - o amor, muitas vezes não correspondido; a desconfiança; a amizade; a família; a dor; a desilusão; o ódio; o desespero; a inocência...

Lê-se num ápice e fica-se com vontade de ler mais. Os contos são intensos, com uma linguagem fluída e cativante. Daqueles livros que nos tocam e nos marcam, por muito breve que seja a sua passagem.

Patrícia

terça-feira, 15 de março de 2011

O Primeiro Amor

Ivan Turguénev é um dos grandes nomes da Literatura Clássica Russa e este pequeno romance ( lê-se em pouco mais de uma hora) é um belo exemplar da obra deste autor. O Primeiro Amor é o relato de Vladímir Petróvitch da sua primeira experiência de amor quando tinha 16 anos.
Somos transportados para uma época em que as relações eram muito distintas da actualidade-o século XIX e podemos vivenciar os altos e baixos de uma paixão adolescente por uma mulher mais velha: as suas dúvidas, os seus receios, os ciúmes e o choque da descoberta das muitas implicações possíveis de uma paixão.

Regina

segunda-feira, 14 de março de 2011

O Rei Faz Vénia e Mata

Herta Müller, Prémio Nobel da Literatura de 2009, é uma escritora Romena há vários anos radicada na Alemanha e que neste livro, composto de vários ensaios (alguns proferidos em conferências ou já anteriormente editados), nos traz novamente os temas da ditadura, da perseguição política, do medo, do exílio.
Estamos aqui perante um livro auto-biográfico onde as experiências vividas pela autora no seu país de origem e também naquele que a recebeu em exílio são expostas de modo a que o leitor consiga compreender as dificuldades sentidas mas também a impossibilidade de esquecer e até de ultrapassar algumas dessas vivências.

Um conjunto de ensaios onde a escrita é essencialmente uma forma de libertação do jugo da opressão sentida.
Regina

quarta-feira, 2 de março de 2011

A Herança da Filha

Howard Norman, um conceituado escritor norte-americano, mas que reside actualmente no Canadá, foi nomeado duas vezes para o National Book Award e recebeu o Lannan Award em ficção. Em português, pode ler-se o seu romance A Herança da Filha, editado recentemente pela Civilização.
A acção passa-se na Nova Escócia e é narrada por Wyatt Hillyer, um jovem que fica órfão aos 17 anos, quando os seus pais se atiram de duas pontes diferentes com um intervalo de poucas horas. Por esse motivo, muda-se para Middle Economy, onde irá viver com os tios e a belíssima prima Tilda. Muitas perturbações ocorrem na sociedade pois que o cenário é o da Segunda Guerra Mundial, sendo incluídos alguns factos verídicos em relação a esse período histórico. Essas perturbações afectam seriamente o tio de Wyatt e desencadeiam acções inesperadas nas vidas de todos. Wyatt irá, então, enfrentar dilemas intrínsecos que irá resolver - ou não - da melhor maneira.

Este livro, escrito como se de uma carta se tratasse, envolve o leitor em emoções intensas, conflitos morais e leva-o a reflectir nas motivações do comportamento humano, numa viagem ao longo de anos de vida relatados de modo acessível e interessante.

Patrícia

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Pepsi e Maria

Apesar do tema abordado, este é um livro de leitura acessível e interessante. Pepsi é órfão de mãe e rejeitado pelo pelo pai, Maria é uma menina de oito anos por quem este se sente responsável e que, considerando os riscos que correm, Pepsi decide levar de volta ao seu país Natal e à sua família de origem. No percurso atribulado desta viagem temos contacto com o mundo terrível das crianças de rua da América Latina: fome, drogas, prostituição, doenças; com forças policiais corruptas e violentas.
Num ambiente de tamanha dureza e violência sobram a estas crianças os laços de amizade que se formam entre elas e que são frequentemente a sua única hipótese de sobrevivência.
Um livro que nos faz reflectir sobre as sociedades actuais e a exclusão em que uma grande franja da população de alguns países tenta sobreviver.

Regina

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Contadora de Filmes

Nesta novela Hernán Rivera Letelier leva-nos, mais uma vez, tal como em A Arte da Ressurreição, à Pampa Chilena onde vamos conhecer Maria Margarita, única filha de uma família numerosa e miserável e cuja aptidão para reproduzir as histórias que vê no cinema da mina lhe valem o título de Contadora de Filmes. Progressivamente a audiência familiar vai-se alargando e em breve a sala fica cheia de vizinhos- adultos e crianças. Num ambiente de grande pobreza os momentos de evasão proporcionados pelos filmes que vão chegando são um escape tanto para os espectadores quanto para Maria Margarita que passa a viver em função destas sessões e se auto-intitula Hada Delcine.
A matéria de que são feitos os sonhos em contraposição à dura realidade do deserto da Pampa estão aqui retratados com uma grande ternura e nostalgia.
Regina

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

As Asas do Medo

Paulino, Doro e Tito são três amigos de sempre, que, juntamente com Julio, se conheceram há muitos anos quando todos frequentavam o colégio interno de padres Constantinos. Desde essa época os laços que os ligam são tão fortes que as suas vidas são vividas em função uns dos outros. Agora Doro está a morrer e entre todos decidem finalmente encarar os seus medos e, sempre unidos, realizar o que ao longo das suas vidas os amedrontou e ficou por fazer.
De leitura fácil e agradável, Paco López Diago escreveu um livro intenso sobre o medo e sobre a importância da amizade para o ultrapassar ou , pelo menos, sobreviver-lhe.

Regina

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Uma vida à sua frente

Mohamed vive com Madame Rosa num sexto andar sem elevador no bairro de Belleville-Paris nos finais dos anos 60.
Uma vida à sua frente é o relato surreal, hilariante e comovente da história de amor e tolerância entre estes dois personagens: uma ex-prostituta judia sobrevivente de Auschwitz e um miúdo muçulmano criado por ela.
Contada pela voz de Mohamed usando a linguagem do meio que o rodeia-uma miscelânea de raças e credos que vivem maioritariamente no limite da legalidade e da pobreza; chegam-nos uma amálgama de ideias e conceitos que o protagonista repete muitas vezes sem compreender, num misto de adoração e ternura pelos seus "professores" e pela única mãe que lhe foi permitido conhecer.
Prémio Goncourt em 1975 mantém a actualidade nos temas abordados e recomenda-se vivamente.
Regina

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Revisor

Este é o terceiro volume da Trilogia do Mal que, juntamente com os anteriores A Ofensa e Derrocada, deram visibilidade a Ricardo Menéndez Salmón na literatura Espanhola actual.
O Revisor trata da história de Vladimir, revisor literário e ex-escritor, cujo mundo interior balança quando a 11 de Março de 2004 acontecem os atentados de Madrid. Ao olhar para trás e relembrar esse dia o protagonista questiona o funcionamento do mundo dos nossos dias: as mentiras do Poder, o terror com que nos bombardeiam os meios de comunicação social, a importância exacerbada do materialismo, a falta de comunicação e de amor em que vivemos.É essa análise que o faz compreender a importância das pessoas que o rodeiam, do amor que nutre pela sua mulher, da amizade, como únicos esteios para a sanidade mental.

Repleto de referências literárias, essencialmente a Dostoiévski, O Revisor é um livro que foca as questões do mundo ocidental actual por intermédio de uma escrita de grande qualidade.
Regina