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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Anibaleitor

Todos nós conhecemos o lado humorístico e incisivo de Rui Zink e ele não está excluído deste seu livro. O Anibaleitor é o monstro que há muito tentam capturar mas sem sucesso. É também a história de um adolescente que atravessa um período difícil e que vai ser posto à prova ao longo desta viagem que vai mudar a sua vida.
Este é um livro que faz a apologia da leitura, é também um apelo ao espírito crítico que todos nós devemos ter como leitores e como pessoas. Direccionado para um público mais juvenil, o seu sentido de humor, as suas referências que nos reportam a outras épocas e o tema abordado são interessantes para todas as faixas etárias.
A sua leitura é um momento de descontracção que poderá agradar a todos.

Regina

terça-feira, 4 de maio de 2010

Três Mulheres Poderosas

Este foi o livro eleito pelo Prémio Goncourt do ano passado e como é habitual rapidamente foi editado por cá. Maria Ndiaye escritora Francesa filha de um Nigeriano traz-nos aqui três mulheres, como o título indica, que são, cada uma a seu modo, poderosas. Este poder não é um poder que se fique a dever às suas situações profissionais ou económicas, muito pelo contrário. As protagonistas destas histórias são mulheres aparentemente fragilizadas, inadaptadas, com muitas questões por resolver, mas que têm uma influência nos que as rodeiam da qual não suspeitam. Os cenários são diversos mas repartidos entre África e a Europa, mais concretamente França.
A escrita aparentemente doce descreve-nos situações de uma grande violência tanto física como psicológica. É um livro que nos fala do imaginário Africano, da pobreza deste continente, da imigração ilegal e das armas que os mais fracos usam para defenderem a sua dignidade.
Regina

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Firmin

Firmin é uma ratazana que nasce na cave de uma livraria e que, por ser o mais fraquinho da ninhada, começa a devorar os livros que o rodeiam para compensar o pouco leite que consegue obter. No entanto, passa a querer ler os livros e começa a cultivar-se intelectualmente. Ele quer ler e aprender sempre mais.

Firmin vive no mundo da sua imaginação, conhece o mundo pelos livros, embora nunca tenha saído da livraria. Gosta dos humanos e gostaria de poder comunicar com eles para que vissem como ele é inteligente mas não consegue ir além de uns quantos guinchos...
Firmin é uma história belíssima, de amor à leitura e à vida, mas também de perda e solidão. Devora-se a leitura desta obra e, por vezes, quase nos esquecemos de que Firmin é um roedor, tal é o modo como nos arrebata e deixa rendidos ao seu carácter sonhador, dedicado e amoroso. Recomendo a todos os leitores!
Patrícia

terça-feira, 27 de abril de 2010

O Coração é um Caçador Solitário

Carson McCullers foi um nome marcante da literatura do Sul dos Estados Unidos no século XX. Neste livro a autora fala-nos de Spiros Antonapoulos e de John Singer, dois amigos surdos-mudos e inseparáveis. Um dia Antonapoulos é internado num asilo e Singer fica por sua conta com a sua deficiência e a sua solidão. Isto vai provocar uma mudança radical na sua vida começando pela alteração da sua residência. Singer trava conhecimento com vários outros personagens que o tornam seu confidente e passam a considerá-lo imprescindível nas suas vidas.
Esta é uma história de inadaptados, de segregação racial, de solidões e incompreensões, de sonhos desfeitos e também de uma sociedade que reflecte os desconfortos individuais.
Escrita muito clara e simples, este é um livro de uma sensibilidade extrema e que nos fala de muitos problemas que se mantém actuais apesar de ter sido publicado em 1940.
Regina

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Uma noite não são dias


Mário Zambujal conta-nos a história de dois amigos passada no ano de 2044. Entre a contextualização das suas vidas, surge um roubo misterioso e o culpado é quem menos se espera, porque nem tudo o que parece é. É uma leitura muito divertida, se bem que nos pode fazer pensar bastante se considerarmos possível que o mundo evolua até ao retrato que nos é feito.

Obviamente com grandes avanços tecnológicos, 2044 tem várias diferenças face ao presente: mudanças ao nível das mentalidades e ao nível social. Fez-me estranhar alguns comportamentos dos personagens, mas fez-me acima de tudo sorrir várias vezes, pelas alusões à nossa actualidade e sua "futura" resolução, com um sentido de humor muito agradável.

Patrícia

sábado, 24 de abril de 2010

Sombras Queimadas

Kamila Shamsie foi, com este livro, finalista do Prémio Orange. Nele, conta-nos a história de Hiroko Tanaka, uma jovem professora que sobrevive à explosão da bomba de Nagasáqui. Tal sorte não teve o seu noivo, Konrad, cuja morte deita por terra os planos e sonhos de Hiroko. Ela parte, então em busca de mudança e também de esquecimento - espera que, ao afastar-se do local onde a tragédia ocorreu, se afaste também das recordações. Vai para a Índia, para conhecer a meia irmã de Konrad e aí começa uma nova vida, que ela estava longe de imaginar possível.

Com uma escrita acessível, propociona-nos uma visão geral de momentos históricos como a explosão da bomba nuclear em Nagasáqui e a partilha da Índia Britânica que separou Índia e Paquistão, bem como das respectivas questões políticas e religiosas.

Patrícia

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Três Vidas ao Espelho

Manuel da Silva Ramos é um exímio utilizador da língua Portuguesa e isso fica bem patente na escrita deste seu novo romance. O tema é a emigração e o contrabando e o autor coloca-nos em vários locais-Beira Interior, Espanha, França, África- e também em várias épocas.Aí ficamos a conhecer os seus personagens, que foram todos afectados pela miséria vivida em Portugal e que a tentaram contornar de uma ou outra forma.
Este é um relato por vezes duro, outras vezes com muito humor, com frequência escatológico mas sempre muito real, do que foi vivenciado por uma grande parte da população Portuguesa e inclusivamente pelo autor. É um retrato em muitos aspectos actual e estas histórias confirmam-nos amiúde que o nosso país não mudou tanto quanto seria desejável.

Regina

terça-feira, 13 de abril de 2010

Manual da Escuridão

Este é um livro mágico. É mágico porque nos fala do mundo da magia-o seu protagonista é um mágico no apogeu da carreira, mas também a escrita nos deixa suspensos a cada linha e a amizade e o amor que nos narra têm efeitos mágicos nos personagens. Victor Losa está entre pares para receber os seus aplausos pelos seus feitos quando tem a primeira falha na visão. Progressiva mas muito rapidamente o seu mundo perde toda a luz e Victor tem pela frente uma nova vida na escuridão. Esta é uma escuridão física mas também psicológica pois perante esta situação o mágico fecha-se e isola-se do mundo. Irina e Alicia vão mudar o rumo da sua vida, no entanto, mais uma vez é Mario Galván que irá fazer a diferença.
O livro está dividido em duas partes: a primeira que nos fala da evolução na carreira do mágico bem como das figuras mais importantes do mundo da magia do século XIX e a segunda que relata os progressos alcançados pelo protagonista no caminho da autonomia como cego.
Escrita muito fluída e acessível mas de grande qualidade literária o autor transporta-nos para vários temas: a música, a entomologia ( as formigas têm um papel crucial na história ) e literatura sempre de forma interessante.
Enrique de Hériz, o autor, tem vários romances publicados dos quais está disponivel em Portugal "Mentira".
Regina

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Outono em Pequim

O 975 é um autocarro cujo destino é a Exopotâmia. É também o autocarro que Amadis Dudu apanha diariamente para ir trabalhar. Ana e Ângelo são dois amigos engenheiros, Rochela é uma mulher muito atraente e Manjamanga é um médico apaixonado por aeromodelismo.Todos estes personagens e outros mais que vamos conhecendo ao longo do livro, vão encontrar-se na Exopotâmia onde vão fazer parte da equipa encarregue de construir o caminho de ferro que irá fazer a ligação para este deserto. A construção vai avançando pelo meio de inúmeras peripécias e as mais diversificadas loucuras de cada um dos personagens.
Num cenário imaginário e perante personagens lunáticos, somos confrontados com o amor, a angústia, a mentira e um humor corrosivo. No estilo habitual de Boris Vian este é um livro de "non-sense" absoluto, o que não impede de no final termos uma história com pés e cabeça.
Regina

quarta-feira, 24 de março de 2010

A Chuva Antes de Cair

Rosamond está a chegar ao fim da sua vida mas não quer partir sem deixar o seu testemunho em herança a Imogen - a neta da sua prima Beatrix com quem manteve uma relação muito forte durante a infância e juventude. O seu relato chega até nós através de uma série de cassetes áudio que esta gravou antes de morrer e nas quais nos vai descrevendo 20 fotos que abrangem toda a sua existência. A história começa nos finais dos anos 30 do século XX numa Inglaterra rural e vai progredindo ao longo do tempo até à actualidade. Este percurso é o percurso de vida de Rosamond mas também de Beatrix, da sua filha Thea e finalmente da sua neta Imogen. De forma por vezes comovente vamos descobrindo estas vidas e os seus altos e baixos, a inconstância do amor, o desamor, as relações entre mães e filhas, a solidão. Também a evolução social e de mentalidades é tratada neste livro.
A escrita é extremamente simples, ou não fosse a reprodução convincente de um monólogo, mas é também de uma grande sensibilidade e precisão.
Jonathan Coe é um autor Britânico muito conceituado que tem conseguido o consenso da crítica e do público e compreende-se porquê ao ler este livro.

Regina

terça-feira, 23 de março de 2010

Os Objectos Chamam-nos

O novo livro de Juan José Millás é composto por pequenos textos de 2 ou 3 páginas e está dividido em duas partes: a primeira - As Origens - fez-me lembrar bastante O Mundo, o seu romance autobiográfico. Contém várias histórias ligadas à sua infância, incluindo as divagações altamente imaginativas, os pormenores em que normalmente ninguém repara, o pânico, mas também a sensibilidade a que o autor nos habituou. A segunda parte - A Vida - relata episódios da (sua) vida adulta e, para mim, tem muito mais sentido de humor - fez-me rir várias vezes! - embora os textos sejam igualmente loucos, surreais e paranóicos, ou profundamente introspectivos e com forte sentido de análise. Faz-me pensar: como será possível alguém imaginar tais histórias?? Vivê-las do modo descrito e acreditar nelas parece ainda mais improvável... pelo que creio que tudo resulte de uma mistura da realidade com a ficção e a fantasia.

Basta ler o que está escrito na contracapa do livro: "Não é possível ler Millás sem que alguma coisa, à nossa volta, mude, sem que a realidade quotidiana nos assombre". Só quem experimenta ler Millás pode compreender a peculiaridade deste autor.

Patrícia

sábado, 20 de março de 2010

A Volta ao Dia em 80 Mundos

Este livro inédito, até à data, em Portugal foi originalmente publicado em 1967. Julio Cortázar é um dos vultos maiores da literatura Sul Americana (Argentino) no século XX ,mas quase desconhecido do grande público, em Portugal, visto só agora estarem a ser editados por cá os seus livros. Falando desta "Volta ao Dia..." é uma volta pelo mundo da cultura mundial. Obra composta por crónicas, poemas, ensaios, contos, entre outros, dá-nos uma panorâmica das ideias do autor e também da sua "loucura". Os temas são tão díspares quanto o tango, o jazz, as pequenas vivências do dia-a-dia, a história da Argentina e divagações várias. Sendo que em cada capítulo nos aguarda um estilo e um tema diferentes, podemos considerar este um livro com uma dinâmica muito sui generis e de uma qualidade literária extrema.
Regina

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Terceiro Reich

Roberto Bolaño é a coqueluche do momento a nível mundial, em termos literários. A edição de O Terceiro Reich em Português foi a primeira tradução deste livro a partir do original em Castelhano - Bolaño era Chileno mas residiu nos últimos anos da sua vida em Espanha. Espanha, e mais concretamente uma povoação junto ao mar nos arredores de Barcelona, são o cenário desta história que nos fala de um jovem Alemão, campeão nacional de jogos de tabuleiro, que decide fazer umas férias no sul de Espanha precisamente no mesmo hotel que costumava frequentar na sua infância e adolescência com os pais. Escrito em forma de diário vamos conhecendo os passos do autor que estando de férias com a namorada aproveita as horas mortas para estudar novas técnicas no seu jogo- O Terceiro Reich, jogo de estratégia baseado na segunda guerra mundial. O surgimento de um outro casal também Alemão e de uma figura misteriosa que vive e trabalha na praia irão contrariar todos os planos do protagonista e dar um novo rumo à sua vida. Todo o livro é atravessado por uma sensação de mistério e até de opressão e temos o pressentimento de que vamos assistir a um final trágico. Escrita empolgante até nos momentos em que nos são descritas as movimentações no jogo esta é uma história com laivos de surrealismo, alguma política e muitas questões existenciais. Após o unanimemente aplaudido 2666, esta leitura recomenda-se vivamente. Regina

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Grito da Preguiça

Andy Whittaker é o editor de uma revista literária que se considera vanguardista e intelectualmente evoluído. É também um aspirante a romancista, mas pelos vistos já ninguém espera que ele publique coisa alguma. Este é um homem frustrado, dissimulado, bajulador quando assim lhe convém e, embora o tente disfarçar, fracassado. Para piorar a sua situação, está falido.

Ninguém nos caracteriza Andy neste livro - cabe ao leitor defini-lo ao longo da leitura das cartas que compõem esta obra, escritas pela mão de Andy e dirigidas a diversas pessoas, tais como a sua ex-mulher, os seus inquilinos, aspirantes a escritores que lhe enviam textos para tentar que sejam publicados na sua revista... À medida que se progride na leitura, surgem contradições, sarcasmo, cinismo, uma ponta de loucura, enfim, uma mistura que nos leva a deduzir a personalidade perturbada do protagonista, com algum sentido de humor.

Patrícia

segunda-feira, 8 de março de 2010

Verão

As minhas anteriores leituras de Coetzee deixaram-me na expectativa quando soube da edição deste seu novo livro. Apesar de ser uma autobiografia, que não é o meu género favorito, decidi pegar-lhe logo que ele chegou. Posso afirmar que a expectativa não foi defraudada.
O livro fala-nos de um período da vida do autor nos anos 70 em que ele não é ainda um escritor famoso. A forma original como escolheu contar-nos a sua história é logo à partida uma mais valia : O escritor, prémio Nobel John M.Coetzee morreu e um autor Inglês decide escrever o retrato da sua vida durante um período de cerca de quatro anos. O meio que escolhe para saber mais acerca do escritor é entrevistar cinco pessoas que contactaram com ele durante esses anos. Este não é um livro de auto-promoção, antes pelo contrário - a imagem que os entrevistados têm de Coetzee é a de um homem que é de certa forma um falhado, um perdedor. Regressado há pouco tempo a uma África do Sul na qual não consegue encaixar-se, não tem um emprego à sua altura, não tem uma namorada, vive com um pai doente numa casa decadente, enfim, é um exemplo a não seguir.
São abordadas algumas questões habituais em Coetzee relacionadas com o domínio branco na África do Sul e com o seu mal-estar perante uma sociedade caracterizada pelo Apartheid. Também as questões literárias são tema, nomeadamente com a dificuldade que o autor tem em exprimir-se seja oralmente, seja por escrito ( tendo aqui a poesia um papel relevante na história ). São os anos em que o escritor tenta definir um rumo para a sua vida, que não tem absolutamente nada do glamour que se poderia esperar de um autor tão conceituado.
Pelos vários motivos referidos esta é uma leitura extremamente agradável quer se conheça ou não a obra do autor.

Regina

terça-feira, 2 de março de 2010

Jeff em Veneza, Morte em Varanasi

Jeff é um jornalista freelancer e é convocado para ir à Bienal de Arte, em Veneza, e escrever um artigo sobre o evento. Como é a segunda vez que o faz, já sabe que as noites serão preenchidas pelas inúmeras festas, em que personalidades conhecidas - e outras nem tanto assim - bebem bellinis até que a festa ou as bebidas acabem. Aí conhece Laura, uma mulher estonteante, que irá fazê-lo pensar sobre a sua vida aborrecida de outro modo. Esta primeira parte tem imensas descrições de Veneza, de algumas exposições e de noites de loucura.

Na segunda parte da narrativa, Jeff está em Varanasi, na Índia, para fazer um artigo diferente. Se não fosse pelo facto de o protagonista ser comum a ambas as partes do livro, poder-se-ia pensar que são dois livros diferentes. Mas não. São duas fases muito diferentes da vida de um homem que procura no meio de uma cidade imunda, cheia de miséria, algo que até então não encontrou. Mais uma vez, descrições que nos colocam no cenário, mesmo quando não iríamos, de certeza, querer estar lá.

Geoff Dyer tem uma escrita acessível, com um sentido de humor, na minha opinião, fantástico, e as duas partes do livro formam um contraste muito rico e belíssimo, cuja leitura me deu um prazer enorme.

Patrícia

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Terra Nova

O primeiro romance de Anthony de Sá, escritor Canadiano oriundo da comunidade emigrante Portuguesa em Toronto, é precisamente uma história sobre a emigração dos anos 50 do século XX para esta "Terra Nova". Acompanhamos Manuel, jovem Açoreano que vive em condições difíceis na aldeia de Lomba da Maia, sob o jugo de uma mãe dominadora e que decide embarcar no Argus- barco da frota da pesca ao bacalhau, para mudar a sua vida. Passamos pela sua experiência como pescador, como náufrago, a sua adaptação ao país de acolhimento, numa segunda fase o protagonista está estabelecido com a família e conhecemos os problemas sentidos pela 2ª geração.
O livro retrata de forma objectiva a luta dos que procuraram melhorar as suas condições de vida partindo para o estrangeiro e os seus sonhos tantas vezes frustrados. Apesar de nos falar dos anos 50, 70 e 80 do século passado e de as realidades locais serem agora substancialmente diferentes, Terra Nova mantém a sua actualidade quer por muitos dos portugueses de várias gerações se conseguirem identificar com as situações descritas, quer pelo facto de continuarmos a ser um país de emigrantes.
A escrita é límpida e sem floreados e a atenção aos pormenores é muito importante para a correcta transmissão destas realidades.
Regina

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Ofensa

Após a leitura marcante de Derrocada, não consegui resistir à tentação de ir à prateleira buscar A Ofensa, o livro anterior de Ricardo Menéndez Salmón.
São 128 páginas que foram lidas num ápice tal a fluidez da escrita e o entrosamento na história. Kurt é um Alemão feito soldado pela 2ª guerra mundial e que é destacado para a frente Francesa. Aí o horror entra na sua vida e a forma como o seu corpo e a sua mente vão reagir é muito invulgar. Mas não será sempre uma reacção invulgar aquela que temos perante o horror? Como sobreviver a situações de violência extrema? Como ultrapassar momentos dolorosos? Como prosseguir com a vida após esses episódios? Estas são algumas perguntas colocadas no livro e que têm, neste caso, uma resposta terrível.
Confirma-se a mestria do autor bem como a qualidade e contundência da sua escrita. Compreende-se porque foi finalista de vários prémios e considerado o melhor romance publicado em Espanha no ano de 2007.
Regina

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Derrocada

Ricardo Menéndez Salmón é já um dos autores de referência da nova literatura Espanhola. Digo "já" pois não tem ainda 40 anos mas a sua obra é bastante diversificada e numerosa. Por cá apenas nos chegaram dois títulos A Ofensa e Derrocada - primeira e segunda parte de uma trilogia do Mal. É sobre este último que vou falar: O Mal é o protagonista desta história. O seu rosto é diverso e multifacetado. Todos são conduzidos por ele em determinada altura do seu percurso. Promenadia é uma cidade que vive sob o seu jugo. O terror acompanha-o passo a passo.
Temos perante nós um thriller psicológico e filosófico em que a sociedade moderna é questionada e em que ninguém está ao abrigo do medo. Com uma escrita extremamente lírica mas brutal é um livro perturbante e forte. Aguardo, expectante, a edição por cá do 3º volume da trilogia.
Regina

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Raposa Azul


Premiado com o Nordic Council Literature Prize, este pequeno livro apresenta-nos o cenário gélido da Islândia do século XIX.
A raposa azul é um animal raro e que, por isso, tem peles valiosas que o padre Baldur Skuggason quer caçar. Ele perde-se pela imensidão de neve, sem nunca desistir da caçada. Entretanto, estamos na quinta do naturalista Fridrik com a sua protegida Abba, que sofre de síndrome de Down e é, apenas por esse motivo, discriminada pela comunidade. Qual será a relação entre estas personagens?

Sem seguir uma linearidade temporal, vai construindo a narrativa em parcelas que se vão interligando aos poucos de forma muito interessante, tornando cada descoberta mais empolgante.
Neste livro verifica-se que a natureza é de uma força e de uma crueldade espantosas, mas que também o são os homens, capazes de cometer atrocidades terríveis.

Patrícia