sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

A Bela Romena

O mais recente romance de Dumitru Tsepeneag, A Bela Romena, que chegou até nós em Outubro, é o primeiro do autor a ser traduzido para português, o que acontece por ocasião do Prémio União Latina das Literaturas Românicas, atribuído ao autor em 2008.

A história gira em torno de uma mulher que diz chamar-se Ana. Ela é bonita, elegante, sedutora e os homens rendem-se a ela num ápice. Chegada a Paris, torna-se cliente habitual de uma cafetaria e tal é o seu impacto que ganha o direito a ter a sua mesa favorita sempre livre. Todos os homens a devoram com o olhar, mas apenas um alcança a intimidade com ela. Iegor fica curioso acerca da sua vida: quem é Ana? Ela é judia ou não? Sofreu abusos ou faz tudo parte de uma personagem criada por ela? Será que tudo o que ela diz é verdade? Como é que ela ganha a vida? Esta é uma personagem envolta em mistério que cabe ao leitor desvendar ao longo do livro. Ou não.

Através de saltos temporais dos quais só nos apercebemos após algumas linhas, vamos conhecendo novas personagens depois de já estarem implicadas na história, o que se torna um exercício interessante para o leitor. São-nos apresentadas situações do passado de Ana (ou será Hannah?) e o que a princípio pode parecer uma série de histórias e situações descontextualizadas, é afinal a preparação da construção "cronológica" dos acontecimentos.

Recomendo a quem não aprecie apenas histórias lineares, explícitas e óbvias!

Patrícia

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O modelo

Peter Wihl é um pintor famoso mas em decadência. A juntar-se à pressão de uma nova exposição descobre que tem um problema de visão que o deixará cego num curto prazo de tempo. Como lidar com isto? Como corresponder às expectativas, dos outros mas também às suas? Até onde ir na ânsia de uma cura? Qual o preço a pagar pela mesma?
O Modelo é um romance moderno, que nos coloca questões muito actuais, de um dos melhores romancistas nórdicos contemporâneos: Lars Saabye Christensen. Uma boa história contada de uma forma agradável e simples apesar de tratar de questões bastante complexas como a criatividade artística e os limites morais e éticos pelo quais nos guiamos, com um final surpreendente mas perfeito como desenlace para tudo o que o antecede.
Apenas, e lamentavelmente, um reparo para a grande quantidade de gralhas e erros que temos de suportar ao longo de todo o livro e que nos fazem questionar o trabalho de revisão. Nota francamente negativa e entristecedora até porque , sendo uma edição da Cavalo de Ferro, de quem estamos habituados a um bom trabalho, não seria de esperar uma mácula destas.
Regina

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Três Vidas

João Tordo foi recentemente agraciado com o Prémio José Saramago, atribuído pelo Círculo de Leitores, pelo romance As Três Vidas. E como neste Natal este livro apareceu no meu sapatinho, pensei que seria uma óptima altura para conhecer este escritor.

Esta obra é cheia de suspense, levando-nos a seguir de perto a história que o narrador nos conta - como ele foi trabalhar para a Agência MP, uma misteriosa empresa que existe isolada da realidade, meticulosamente encoberta, e cujos objectivos, métodos e funções são desconhecidos até dos seus funcionários. Augusto Milhouse Pascal, o grande chefe, é um homem já de alguma idade, e é a figura central de todo o mistério. Mas a curiosidade é própria da natureza humana e o jovem narrador deixa-se levar por ela, tentando descobrir o que realmente se passa na agência. Apenas sabe, à partida, que os seus clientes são pessoas importantes, ligadas à cena política, a órgãos estatais, a guerras... a nível internacional. A descoberta será surpreendente, mas não irá a curiosidade matar o gato?... Leva-nos a pensar em como por vezes a verdade pode mudar a nossa vida...


De ritmo regular e relativamente lento até meio do livro, o desenlace de uma série de situações perto do final será intenso, quase estonteante, fazendo o livro valer ainda mais a pena. Certamente, um autor português a seguir de perto.

Patrícia

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Top vendas de infanto/juvenil de 2009

Também os livros de literatura infantil e juvenil são de assinalar em termos de vendas da livraria, até pela sua importância na formação de novos leitores.
Assim os mais vendidos na K em 2009 foram:












segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Top de Vendas 2009 na K

Neste primeiro dia útil de 2010 apresentamos o nosso top de vendas do ano 2009:


1º lugar

Os Dias de Saturno de Paulo Moreiras




2º lugar

Os vários volumes da saga Luz e Escuridão de Stephenie Meyer




3º lugar

Os Anagramas de Varsóvia de Richard Zimler




4º lugar

Fúria Divina de José Rodrigues dos Santos




5º lugar

Caim de José Saramago





6º lugar

O Símbolo Perdido de Dan Brown




7º lugar

As Velas Ardem até ao Fim de Sándor Márai





8º lugar

O Mundo de Juan José Millás




9º lugar

O Tigre Branco de Aravind Adiga





10º lugar

Os Homens que Odeiam as Mulheres de Stieg Larsson

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo!
















A todos um excelente 2010 cheio de boas

surpresas e, claro, boas leituras!
Após um ano de trabalho árduo e intenso, que culminou num mês de Dezembro exaustivo, mas gratificante, vamos finalmente ter tempo para pôr a leitura em dia!

Assim, informamos que no próximo Sábado, dia 2 de Janeiro, a K de Livro faz uma pausa e reabre no dia 4 com energia renovada e pronta para mais um ano a trabalhar convosco.

Até para o ano!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Terra das Ameixas Verdes

Herta Müller, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura deste ano, é uma autora pouco conhecida e editada entre nós, no entanto a atribuição deste prémio valeu a reedição do seu livro A Terra das Ameixas Verdes que se encontrava esgotado havia algum tempo. Aproveitando a oportunidade decidi travar conhecimento com esta autora e com a sua obra.
Este é um livro de uma grande densidade emocional em que perpassa uma sensação de angústia permanente. Retrato de uma sociedade oprimida e constantemente controlada em que as perspectivas de vida não existem, esta é a história de quatro amigos e das suas dificuldades de adaptação à vida no seu país.
Aprendemos tanto pelo que é dito como pelo que fica por dizer, a escrita de Herta Müller obriga-nos a ler muito nas entrelinhas tal como acontece com os seus personagens ."Espezinhamos tanto com as palavras na boca como com os pés na erva. Mas com o silêncio também." é uma das frases iniciais do livro e que nos dá logo uma perspectiva do que nos aguarda.

Regina

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

A K de Livro deseja aos seus clientes e amigos um fantástico Natal
cheio de boas surpresas!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O que oferecer neste Natal

Ainda não comprou as prendas todas??
Aqui ficam mais algumas sugestões de ofertas natalícias:











































segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Os Gropes

Tom Sharpe é, sem dúvida, um dos autores Britânicos com um sentido de humor mais desenvolvido. Autor famoso desde a "saga" Wilt, habituámo-nos a conviver nos seus livros com as situações mais caricatas e os protagonistas mais azarados que se possam imaginar. Neste livro deparamo-nos com a família Grope cuja particularidade é o facto de, ao contrário do que é comum, a linhagem ser de transmissão feminina e os homens que entram para o clã terem apenas finalidades procriativas. Ora esta família acaba de fazer uma nova "aquisição" masculina e ficamos a conhecer o protagonista e as aventuras da sua chegada à mesma da forma mais rocambolesca possível.
Hilariante, este é um livro cheio de peripécias e de personagens perturbadas que vamos descobrindo através de uma escrita límpida e de grande qualidade. Recomendável para todos os leitores que procurem uns momentos de diversão sem no entanto prescindirem da qualidade literária.
Regina

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sugestões de Natal

Já faltam poucos dias para o Natal e ainda não sabe o que vai oferecer???
Nós damos uma ajudinha:





























quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Bobo

Do autor de "O Anjo mais estúpido" e "Minha besta", chega até nós "O Bobo", uma sátira à monarquia passada na época medieval, que não deverá ser lida sem que antes seja lido o aviso feito pelo autor no início do livro.

Pois é, não se pretende enganar ninguém: esta é de facto uma história indecente de traições, intrigas, mentiras, conspirações e cópulas frenéticas, contada por Pocket, o bobo do rei Lear da Grã-Bretanha. A acção passa-se no século XIII e irá fazer o leitor rir com as peripécias estapafúrdias que irão suceder ao longo do livro. Até um fantasma entra na história ("Há sempre o raio de um fantasma!"), para além de um ajudante de bobo palerma, uma mulher emparedada, três princesas traiçoeiras e gananciosas, enfim...personagens que serão a força motriz da narrativa.


Baseando-se na peça do Rei Lear de Shakespeare, mas distorcendo-a por completo e com incongruências temporais assumidas no final, pelo autor, Christopher Moore permite-nos dar asas à parvoíce - e à imaginação, claro - sempre com muito sentido de humor.

Patrícia

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aniversário da K de Livro.

A Livraria abriu há 7 anos. O que para nós é fantástico!
Peço desculpa não disfarçar a minha alegria mas não posso deixar de estar feliz.
A cultura em Portugal é tratada como se sabe, uma livraria numa pequena cidade é utópico ... chegar aos 7 anos de vida é, para nós, motivo de orgulho.

Obrigado a todos por fazerem com que este dia tenha chegado.

Nathalie.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Beijo do Ladrão

Retrato dos Estados Unidos do início do século XX feito por um carteirista a quem nos afeiçoamos esta história começa aquando do terramoto de 1906 em S.Francisco e atravessa, tal como o protagonista, as três décadas que se seguem.
São abordados assuntos como a fome na Irlanda, a reconstrução de S.Francisco após o sismo, as máfias dominantes na cidade-Italiana e Chinesa, a imigração e o racismo vivenciado pelas várias etnias e nacionalidades, a lei seca, a grande depressão, etc, tudo isto enquanto vamos calcorreando os Estados Unidos ao sabor das necessidades do protagonista. Ficamos ainda a conhecer a história do vinho na Califórnia.
Com uma escrita fluída e empolgante este é um livro que fácilmente podemos imaginar em filme, ou não fosse o seu autor, Alan Parker, um conceituado realizador e produtor de cinema. O Beijo do Ladrão é o seu primeiro romance mas mostra um bom domínio da narrativa e é uma leitura agradável para qualquer tipo de leitor.
Regina