quarta-feira, 3 de março de 2010

Correntes D'escritas 2

Como é óbvio a minha deslocação a este evento não se limitou a fazer a cobertura de uma das mesas de debate.
Na sexta-feira à tarde assisti à mesa em que se discutiu a frase " O poeta é um predador ", mais uma das várias frases de Agustina Bessa-Luís que lançaram o mote este ano e na qual estavam presentes Inma Luna, Ivo Machado, Jorge Melícias, Tiago Nené e valter hugo mãe e cujo moderador foi Francisco José Viegas. Nesta mesa assistimos a vários momentos de grande humor concretamente com as intervenções de Inma Luna ( escritora Espanhola ) e de valter hugo mãe, a primeira que nos falou de 4 predadores diferentes fazendo o seu paralelismo com os escritores e cuja frase chave foi: " O poeta é o gourmet do recôndito " e o último com a leitura de um texto da sua autoria em que falava de diversos animais e de como ele não é um predador - levou-nos às lágrimas de tanto rir. Momentos de poesia, de reflexão e de bom humor caracterizaram esta mesa.
Seguiram-se os lançamentos de vários livros e era novamente altura de outra mesa, a sétima, que questionava se a literatura perverte a imaginação. Presentes Leonor Xavier, Malangatana, Manuel Jorge Marmelo, Gonzalo Celorio e João Manuel Ribeiro que nos disse que a literatura cria realidade por intermédio da ingestão de imaginação. Ficámos ainda a saber que, noutras opiniões, a literatura perverte, subverte, diverte entre outros e para Malangatana o seu ofício é mentir o que nos provou contando uma história que se passou com ele na Finlândia. A sua intervenção foi tão divertida e animada que acabou com uma canção. Nesta mesa tivemos direito a várias histórias engraçadas e perversas ou sobre a perversão da literatura.

Brevemente, mais informações sobre este evento.

Regina

terça-feira, 2 de março de 2010

Jeff em Veneza, Morte em Varanasi

Jeff é um jornalista freelancer e é convocado para ir à Bienal de Arte, em Veneza, e escrever um artigo sobre o evento. Como é a segunda vez que o faz, já sabe que as noites serão preenchidas pelas inúmeras festas, em que personalidades conhecidas - e outras nem tanto assim - bebem bellinis até que a festa ou as bebidas acabem. Aí conhece Laura, uma mulher estonteante, que irá fazê-lo pensar sobre a sua vida aborrecida de outro modo. Esta primeira parte tem imensas descrições de Veneza, de algumas exposições e de noites de loucura.

Na segunda parte da narrativa, Jeff está em Varanasi, na Índia, para fazer um artigo diferente. Se não fosse pelo facto de o protagonista ser comum a ambas as partes do livro, poder-se-ia pensar que são dois livros diferentes. Mas não. São duas fases muito diferentes da vida de um homem que procura no meio de uma cidade imunda, cheia de miséria, algo que até então não encontrou. Mais uma vez, descrições que nos colocam no cenário, mesmo quando não iríamos, de certeza, querer estar lá.

Geoff Dyer tem uma escrita acessível, com um sentido de humor, na minha opinião, fantástico, e as duas partes do livro formam um contraste muito rico e belíssimo, cuja leitura me deu um prazer enorme.

Patrícia

segunda-feira, 1 de março de 2010

Top Fevereiro


1.º Os objectos chamam-nos
Juan José Millás

Planeta






2.º A máquina de fazer espanhóis
valter hugo mãe

Alfaguara







3.º Os Desaparecidos
Daniel Mendelsohn

D. Quixote

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Correntes D'escritas 2010

Este é um post escrito directamente a partir da Póvoa de Varzim onde decorre esta "festa" da literatura. Esta manhã tive o privilégio de assistir a mais uma das mesas de debate que envolvem sempre vários escritores, de várias origens e um mediador.
O tema em discussão era "duvido, portanto penso" e a mesa era composta por João Paulo Sousa, Vítor Burity da Silva, Lourenço Pereira Coutinho, Sérgio Luís de Carvalho e por fim, mas os últimos são sempre os primeiros, o "nosso" Paulo Moreiras. A mediação ficou a cargo de José Mário Silva.
Dado o mote, as abordagens são sempre muito pessoais e, como tal, assistimos a intervenções mais académicas e outras mais descontraídas e até humorísticas. É também esta miscelânea de posturas que torna estes debates tão interessantes e envolventes. Neste caso tivemos uma mesa bastante equilibrada, sem momentos entediantes e com muito humor. O nervosismo inicial foi rápidamente transformado em momentos de grande lirismo, introspecção e muitas gargalhadas, que se ficaram a dever à abordagem feita pelo Paulo Moreiras pois, às suas dúvidas como escritor, se juntaram nomes de doces conventuais com referências mais ou menos sexuais, o que pôs toda a sala a rir e aplaudir.
Foi mais um momento a reter destas Correntes. De outros vos irei dando conhecimento nos próximos dias.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Terra Nova

O primeiro romance de Anthony de Sá, escritor Canadiano oriundo da comunidade emigrante Portuguesa em Toronto, é precisamente uma história sobre a emigração dos anos 50 do século XX para esta "Terra Nova". Acompanhamos Manuel, jovem Açoreano que vive em condições difíceis na aldeia de Lomba da Maia, sob o jugo de uma mãe dominadora e que decide embarcar no Argus- barco da frota da pesca ao bacalhau, para mudar a sua vida. Passamos pela sua experiência como pescador, como náufrago, a sua adaptação ao país de acolhimento, numa segunda fase o protagonista está estabelecido com a família e conhecemos os problemas sentidos pela 2ª geração.
O livro retrata de forma objectiva a luta dos que procuraram melhorar as suas condições de vida partindo para o estrangeiro e os seus sonhos tantas vezes frustrados. Apesar de nos falar dos anos 50, 70 e 80 do século passado e de as realidades locais serem agora substancialmente diferentes, Terra Nova mantém a sua actualidade quer por muitos dos portugueses de várias gerações se conseguirem identificar com as situações descritas, quer pelo facto de continuarmos a ser um país de emigrantes.
A escrita é límpida e sem floreados e a atenção aos pormenores é muito importante para a correcta transmissão destas realidades.
Regina

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Ofensa

Após a leitura marcante de Derrocada, não consegui resistir à tentação de ir à prateleira buscar A Ofensa, o livro anterior de Ricardo Menéndez Salmón.
São 128 páginas que foram lidas num ápice tal a fluidez da escrita e o entrosamento na história. Kurt é um Alemão feito soldado pela 2ª guerra mundial e que é destacado para a frente Francesa. Aí o horror entra na sua vida e a forma como o seu corpo e a sua mente vão reagir é muito invulgar. Mas não será sempre uma reacção invulgar aquela que temos perante o horror? Como sobreviver a situações de violência extrema? Como ultrapassar momentos dolorosos? Como prosseguir com a vida após esses episódios? Estas são algumas perguntas colocadas no livro e que têm, neste caso, uma resposta terrível.
Confirma-se a mestria do autor bem como a qualidade e contundência da sua escrita. Compreende-se porque foi finalista de vários prémios e considerado o melhor romance publicado em Espanha no ano de 2007.
Regina

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Maria Velho da Costa


Primeiro dia de Correntes D'Escritas e é anunciado o nome do vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa 2010 - Maria Velho da Costa com o livro Myra que está editado na Assírio & Alvim.
Segundo o representante do juri do prémio- Carlos Vaz Marques, a decisão não foi fácil, nem unânime ( a concorrência era de peso).

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Derrocada

Ricardo Menéndez Salmón é já um dos autores de referência da nova literatura Espanhola. Digo "já" pois não tem ainda 40 anos mas a sua obra é bastante diversificada e numerosa. Por cá apenas nos chegaram dois títulos A Ofensa e Derrocada - primeira e segunda parte de uma trilogia do Mal. É sobre este último que vou falar: O Mal é o protagonista desta história. O seu rosto é diverso e multifacetado. Todos são conduzidos por ele em determinada altura do seu percurso. Promenadia é uma cidade que vive sob o seu jugo. O terror acompanha-o passo a passo.
Temos perante nós um thriller psicológico e filosófico em que a sociedade moderna é questionada e em que ninguém está ao abrigo do medo. Com uma escrita extremamente lírica mas brutal é um livro perturbante e forte. Aguardo, expectante, a edição por cá do 3º volume da trilogia.
Regina

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A Raposa Azul


Premiado com o Nordic Council Literature Prize, este pequeno livro apresenta-nos o cenário gélido da Islândia do século XIX.
A raposa azul é um animal raro e que, por isso, tem peles valiosas que o padre Baldur Skuggason quer caçar. Ele perde-se pela imensidão de neve, sem nunca desistir da caçada. Entretanto, estamos na quinta do naturalista Fridrik com a sua protegida Abba, que sofre de síndrome de Down e é, apenas por esse motivo, discriminada pela comunidade. Qual será a relação entre estas personagens?

Sem seguir uma linearidade temporal, vai construindo a narrativa em parcelas que se vão interligando aos poucos de forma muito interessante, tornando cada descoberta mais empolgante.
Neste livro verifica-se que a natureza é de uma força e de uma crueldade espantosas, mas que também o são os homens, capazes de cometer atrocidades terríveis.

Patrícia

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Novidades


Quatro Estações
Chakall

Oficina do Livro







A Raposa Azul
Sjón
Vencedor do Nordic Council Literature Prize

Cavalo de Ferro





Precious - A força de uma mulher
Sapphire

Alfaguara

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Entre os Assassinatos

O cenário é, em todos os contos, a cidade de Kittur no estado de Karnataka, Índia, na segunda metade dos anos 80 do século XX. O livro está estruturado em jeito de uma viagem de 7 dias à cidade, e os vários contos poderiam corresponder a vários percursos a percorrer. Esta é uma cidade com história e tradição na resistência ao Império Britânico. No entanto este não é um livro sobre Kittur mas sim um livro sobre as miscelâneas religiosas, culturais, linguísticas e de castas da Índia. Entre os assassinatos é um livro sobre falhados, sobre enjeitados pela sorte, sobre perdedores, sobre a luta incessante pela sobrevivência em condições desumanas. A corrupção, a bajulação, a miséria, a impossibilidade de qualquer ascenção social ou económica são constantes ao longo dos vários contos.
Aravind Adiga mostra-nos, lado a lado, as facetas charmosas e repugnantes de uma Índia pretensamente moderna mas que continua a viver sufocada pelas distinções por castas e o mau relacionamento entre os seus elementos bem como o domínio total da corrupção, do analfabetismo, da desonestidade política, entre outros.
Os vários personagens que vamos tendo o privilégio de conhecer são de uma grande densidade e sensibilidade abarcando todos os estratos sociais.
Regina

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Correntes D'Escritas

De 24 a 27 do mês corrente realiza-se na Póvoa de Varzim mais um Correntes D' Escritas.
Como é habitual o programa é bem recheado,diversificado e de grande qualidade.
A conferência de abertura fica, este ano, a cargo da Ministra da Educação Isabel Alçada e entre as mesas de debate, lançamentos, prémios, concurso, edição da revista das Correntes,há muita animação e a dificuldade será mesmo a escolha.

Para mais informação entrar aqui http://www.cm-pvarzim.pt/povoa-cultural/pelouro-cultural/areas-de-accao/correntes-d-escritas/correntes-descritas-2010/Programa%20Correntes%20dEscritas%202010.pdf/view

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Tango

Amanhã às 21.30 o Teatro José Lúcio da Silva apresenta o Quinteto Lusotango que se estreou em Palmela em 2001 e é composto por um acordeão, um violino, saxofones, contrabaixo e piano. Para além da formação habitual estarão ainda em palco dois bailarinos e uma voz feminina como convidados. Espectáculo a não perder por todos os apreciadores de tango e concretamente de Astor Piazzolla.
O Quinteto Lusotango tem um disco homónimo gravado.
Preço dos bilhetes 7,50€.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

a máquina de fazer espanhóis

O que nos aguarda no final das nossas vidas? É possível ainda a felicidade na velhice? Como encarar os dias que nos restam? Estas são algumas das muitas questões levantadas pelo mais recente romance de valter hugo mãe.
antónio silva tem oitenta e quatro anos e o seu mundo desaba. As mudanças que se seguem irão levá-lo a questionar toda a sua vida e a sua postura perante a mesma e perante a sociedade em que viveu.
Somos conduzidos através do desmoronamento de todas ou quase todas as convicções deste "homem bom" enquanto também o seu corpo se vai debilitando.
Este é sem dúvida um livro sobre a velhice e tudo o que lhe está associado - decadência física e mental, solidão, perda, medo da morte, etc. mas é também um livro que aborda a cidadania, a amizade, o amor e a possibilidade de felicidade mesmo quando julgamos não haver futuro.
A escrita é fluida e com ritmo, alternando entre momentos de pessimismo e outros de grande humor. É também muito poética. A história prende-nos e tem alguns pormenores muito originais como a inclusão de personagens de outros autores:o Esteves sem metafísica do Pessoa ou o inspector Jaime Ramos de Francisco José Viegas.
Regina

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sandra Carvalho


A escritora Sandra Carvalho esteve ontem connosco numa sessão com os alunos da Escola Maria Alice Gouveia, em Coimbra, para falar sobre os seus livros, que compõem a Saga das Pedras Mágicas, editada pela Presença, na colecção Via Láctea. Para saber mais, visite a página da escritora ou Editorial Presença.




A Saga das Pedras Mágicas inclui os seguintes volumes:



















Os livros apresentados estão disponíveis na K.