
Já é conhecido o programa das Palavras Andarilhas 2010, na Biblioteca Municipal de Beja. Serão 3 dias em que a arte de contar e de usar a palavra vão estar em destaque e em debate. Para conhecer o programa consulte o blog deste encontro.




Kambili é uma adolescente que vive numa grande mansão com os seus pais e o irmão, na Nigéria. É uma família muito religiosa e Kambili e Jaja recebem uma educação muito rígida, com horários bem definidos a cumprir: têm um momento para estudar, um momento para rezar, um momento para estarem em família. São educados a fugir do pecado, sendo severamente castigados quando apanhados em falta (segundo a perspectiva do pai) e os castigos físicos são simplesmente brutais, insensíveis e cruéis. Kambili cresce com medo, insegura, demasiado tímida, não conhece o som do próprio riso. As suas relações sociais são quase inexistentes, até que a sequência dos acontecimentos socio-políticos na Nigéria e conflitos familiares a levará até a casa da sua tia Ifeoma, onde se irá conhecer a si mesma na companhia dos três primos, Chima, Obiora e, em especial, Amaka - a sua prima da mesma idade, que a irá fazer despertar. Experimentando uma vida cheia de riso, irá conhecer novas sensações e questionar-se sobre diversos princípios e crenças.


Numa época em que começam a despontar e a organizar-se os movimentos de luta pela independência da Irlanda, Eneas faz a escolha inocente, mas inoportuna de ingressar na marinha mercante Britânica. No seu regresso a Sligo apercebe-se das alterações vividas na cidade e nos que o rodeiam e após um ano de procura infrutífera de trabalho vê-se forçado a entrar para a polícia Real Britânica. Este é o despoletar de uma vida de proscrição e de solidão. Ao longo do livro vamos acompanhando as divagações do protagonistas, tanto geográficas quanto interiores, e deparamo-nos com um homem cuja incompreensão e alheamento do mundo o tornam um apátrida. Com passagem por grande parte do século XX ,temos um retrato na primeira pessoa do desembarque na Normandia e da chacina vivida em Dunquerque. Acompanhamos ainda o início do fim do imperialismo britânico também em África, onde Eneas irá, finalmente, encontrar o seu amigo Harcourt, outro proscrito, neste caso por razões de saúde.


Pode parecer estranho, mas é bem real: nos EUA, está em vigor o programa Mudando Vidas através da Literatura, que consiste em inserir os réus num programa de leitura e discussão de literatura, em vez de o enviarem para a prisão. Obviamente que não é qualquer um que pode ser integrado nesse programa: tem de ter um nível mínimo de literacia e de motivação, para além de outros parâmetros a avaliar por especialistas.
A Educação Siberiana de Nicolai Lilin fala-nos de uma franja da sociedade sobre a qual não é habitual termos muita informação: os criminosos.