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Vencedor do Prémio Booker de 2010 Howard Jacobson é considerado por muitos o Philip Roth inglês e de facto alguns dos temas tratados, pelo menos neste livro, são comuns, tendo, no entanto, a diferença de abordarem a problemática judia em contextos de sociedades bastante diferentes. Julian Treslove é um homem de meia idade cuja vida é um conjunto da fracassos e cujo modelo é Samuel Finkler, judeu e seu amigo de infância. A história de Treslove é uma relação de amor/ódio com Finkler e com o que ele representa, tendo como expoente máximo a sua ânsia em passar a fazer parte do mundo judeu a que este pertence. Personagem que sempre se sentiu excluído e sem rumo, pensa ter encontrado o seu caminho ao conhecer Hephzibah mas as circunstâncias irão demonstrar que neste mundo nada é simples e linear. As questões políticas, históricas, sociais e culturais envolvendo a comunidade judia pelo mundo e mais concretamente no Reino Unido do século XXI são aqui expostas com pertinência e muito humor ( o típico humor judeu).
Escrito por Judith Viorst e ilustrado por Lane Smith, autor de É um Livro sobre o qual escrevemos há uns dias, este livro traz-nos a história de Lulu uma menina bastante malcriada, que está habituada a ver todas as suas vontades satisfeitas até ao dia em que decide que quer ter como animal de estimação um Brontossauro. É aí que se dá uma viragem na vida dela e nada voltará a ser como dantes.
Chegou há uns dias uma novidade bem divertida da autoria de Lane Smith e editado pela Editorial Presença. O seu nome é: É Um Livro, e de forma muito eficaz faz a comparação entre um livro e um computador.
Novo romance de Philip Roth em Portugal e mais um protagonista masculino que procura um caminho para a sua vida. Simon Axler, actor a mãos com uma crise de inspiração, de confiança e de identidade, decide refugiar-se na sua casa de campo. Aí, Pegeen, 20 anos mais nova do que ele, vai irromper na sua vida e dar-lhe um novo ímpeto e novas esperanças. No entanto, as suas expectativas para esta relação são defraudadas e o final será dramático.Autoria de Urbano Tavares Rodrigues
Dia 23 de Abril de 2011
Dos mais antigos e preciosos manuscritos, por vezes maravilhosamente iluminados, ou seja cobertos de ricas ilustrações, à descoberta da imprensa, que inicia um processo de democratização da leitura, ao aparecimento dos primeiros jornais, ainda de reduzida circulação, ao surto da imprensa moderna, o livro, de começo destinado a um escol de leitores, não tarda a chegar às massas devido ao ruído social e até ao escândalo de obras como as de Victor Hugo, que trazem ao público o milagre, o mistério, a aventura prodigiosa.
O Germinal e outras obras de Zola foram extremamente motivadoras para a conquista de um círculo muito abrangente de leitores. Só tarde se vulgarizou o subproduto romanesco, a partir de obras com certa qualidade, que foram imitadas, vulgarizadas, estereotipadas.
O livro, que às vezes provinha do folhetim, ganhou cor, beleza, tornou-se umas vezes discreto, outras vezes berrante para chamar a atenção do público mais simplório. Suportou a concorrência do cinema e da televisão, com os quais estabeleceu relações íntimas de interpenetração.
Já muito mais tarde sofreu a concorrência da Internet e resistiu-lhe. O modelo de globalização neo-liberal, que não afecta a grande literatura, marcou profundamente os subprodutos muito vendáveis, contendo lixo literário. Há por vezes o que parece ser uma concessão a processos um pouco fáceis de sedução do leitor. Mas continua a fazer-se muito boa literatura. A digitalização dos livros lançados na Internet preocupa alguns puristas, mas a verdade é que o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos ou é enfiado debaixo do travesseiro, companheiro querido, onde por vezes se escrevem anotações, juízos, comentários, críticas ou pequenos elogios, que o valorizam aos olhos dos bibliófilos.
O livro tornou-se um amigo, foi nele que em muitos casos, nos descobrimos, com ele crescemos e nos transformamos, permanecendo fiéis ao mais profundo da nossa natureza. Lembro-me sempre do que foi para mim, como descoberta íntima do meu ser, a leitura de L’exile et le royaume, de Albert Camus. Camus, de quem vim a tornar-me amigo, morreu cedo, abruptamente, num acidente de automóvel. Restam-me dele retratos e os seus livros, palpitantes de vida, anotados por mim, desde O mito de Sísifo, que traduzi para português, aos outros, tão vivos, alguns cobertos de gatafunhos como La chute, que me inspirou o comportamento de um mentiroso compulsivo numa curta novela.
A terminar esta breve série de considerandos sobre o livro, a sua trajectória no tempo, a sua magia glorificada como resistência do espírito, que é e será contra a barbárie economicista, que reduz tudo a dinheiro. Desejo que brilhe com a suprema luz da paz e da fraternidade universal este novo dia do livro.
Urbano Tavares Rodrigues
Via blogue do Encontro Livreiro.

