segunda-feira, 16 de maio de 2011

Deixem Falar as Pedras

O que é a verdade? De que são feitas as memórias? O que nos faz aquilo que somos? Algumas das muitas interrogações com que o mais recente romance de David Machado nos confronta. A história de Nicolau Manuel existe na sua cabeça como de facto aconteceu ou é um conjunto de invenções e situações imaginadas?
No dia em que ia casar com Graça, a polícia prende-o e a sua vida nunca mais estará nas suas mãos. Meio século mais tarde o que o mantém vivo é a ânsia de poder explicar a Graça o motivo do desencontro de uma vida. Valdemar, o seu neto e o seu ouvinte mais atento, tenta devolvê-lo à realidade com a notícia da morte Amadeu Castelo o inimigo de sempre, mas o mundo de Nicolau Manuel já é outro...

A história da segunda metade do século XX em Portugal chega-nos em alternância com os problemas de Valdemar - um adolescente obeso, apaixonado pela sua amiga que sofre de anorexia, no formato de um relato escrito num caderno, com rasuras incluídas, e cujo objectivo é repor a verdade, num romance que nos confirma mais um excelente jovem autor Português.
Regina

sábado, 14 de maio de 2011

Namora uma rapariga que lê

Viajando pela blogosfera, entrámos n'O Jardim Assombrado onde encontrámos este texto de Rosemary Urquico, por sua vez encontrado no blogue de Cynthia Grow. E achámos por bem partilhar...
(Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril).


"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.

Oferece-lhe outra chávena de café com leite.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.

Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

Cata Livros

Há um novo sítio na internet dedicado à literatura infantil:
o
Cata Livros.

É um projecto da Casa da Leitura, Fundação Calouste Gulbenkian, com coordenação de João Paulo Cotrim. Aí se encontram sugestões de leitura, de actividades em torno do livro e até jogos, num site dinâmico e interactivo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Prémio Camões 2011


Manuel António Pina foi agraciado com o Prémio Camões, o mais importante da Língua Portuguesa. Este autor tem-se destacado em várias vertentes literárias, nomeadamente enquanto cronista, poeta e escritor de livros infanto-juvenis, tendo também publicado uma obra de ficção.

Leia mais no Público.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Livro do Sapateiro


Mais um prémio para Pedro Tamen e o seu Livro do Sapateiro. Desta feita foi o Grande Prémio APE de poesia.

sábado, 7 de maio de 2011

Contos Carnívoros


O belga Bernard Quiriny presenteia-nos com uma extensa série de contos bastante breves e algo invulgares. São pequenas histórias que contêm ou elementos fantásticos ou ironia, desde mulheres-laranja a meninos-demónio, intercalados com crónicas musicais e literárias e homicídios em circunstâncias invulgares. Muitas delas deixarão o leitor com um sorriso na cara quer pela loucura do relato, quer pela frustrante, logo, irónica resolução da história.

Patrícia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Questão Finkler

Vencedor do Prémio Booker de 2010 Howard Jacobson é considerado por muitos o Philip Roth inglês e de facto alguns dos temas tratados, pelo menos neste livro, são comuns, tendo, no entanto, a diferença de abordarem a problemática judia em contextos de sociedades bastante diferentes. Julian Treslove é um homem de meia idade cuja vida é um conjunto da fracassos e cujo modelo é Samuel Finkler, judeu e seu amigo de infância. A história de Treslove é uma relação de amor/ódio com Finkler e com o que ele representa, tendo como expoente máximo a sua ânsia em passar a fazer parte do mundo judeu a que este pertence. Personagem que sempre se sentiu excluído e sem rumo, pensa ter encontrado o seu caminho ao conhecer Hephzibah mas as circunstâncias irão demonstrar que neste mundo nada é simples e linear. As questões políticas, históricas, sociais e culturais envolvendo a comunidade judia pelo mundo e mais concretamente no Reino Unido do século XXI são aqui expostas com pertinência e muito humor ( o típico humor judeu).
Regina

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Lulu e o Brontossauro

Escrito por Judith Viorst e ilustrado por Lane Smith, autor de É um Livro sobre o qual escrevemos há uns dias, este livro traz-nos a história de Lulu uma menina bastante malcriada, que está habituada a ver todas as suas vontades satisfeitas até ao dia em que decide que quer ter como animal de estimação um Brontossauro. É aí que se dá uma viragem na vida dela e nada voltará a ser como dantes.
De leitura compulsiva, escrito com muito humor, ainda somos presenteados com várias possibilidades de finais e com ilustrações muito divertidas e artísticas. De salientar também a tradução de Carla Maia de Almeida.
Um livro para os mais pequenos mas que tem a capacidade de agradar, e muito, também aos mais crescidos.
Regina

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ernesto Sábato

Morreu no sábado o escritor Argentino Ernesto Sábato. O autor de 99 anos, era um dos maiores nomes da literatura deste país, foi Prémio Cervantes em 1984 e tem uma extensa obra publicada.

sábado, 30 de abril de 2011

É Um Livro

Chegou há uns dias uma novidade bem divertida da autoria de Lane Smith e editado pela Editorial Presença. O seu nome é: É Um Livro, e de forma muito eficaz faz a comparação entre um livro e um computador.
Os personagens são um macaco - fã de livros; e um burro - "agarrado" aos computadores.
Atenção este não é simplesmente um livro para crianças...É uma delícia!

Venham conhecê-lo na Feira do Livro de Pombal.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

XVII Feira do Livro de Pombal












A Feira do Livro de Pombal começa neste Domingo e o trabalho já vai adiantado! Visite-nos lá de 1 a 8 de Maio. Pode consultar o programa da feira aqui.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Árvore Vermelha


A Árvore Vermelha já chegou à nossa livraria...
e é um livro simplesmente magnífico.



Um livro de Shaun Tan, vencedor do Astrid Lindgren Memorial 2011, editado pela Kalandraka.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Humilhação

Novo romance de Philip Roth em Portugal e mais um protagonista masculino que procura um caminho para a sua vida. Simon Axler, actor a mãos com uma crise de inspiração, de confiança e de identidade, decide refugiar-se na sua casa de campo. Aí, Pegeen, 20 anos mais nova do que ele, vai irromper na sua vida e dar-lhe um novo ímpeto e novas esperanças. No entanto, as suas expectativas para esta relação são defraudadas e o final será dramático.
Estamos novamente perante um homem que se aproxima do final da vida e que se sente desorientado, frustrado e, essencialmente, só.
Ninguém como Philip Roth nos consegue envolver a este ponto na intimidade masculina, na sua dificuldade em enfrentar a perda de capacidades provocada pelo envelhecimento e nas dúvidas que assolam os seres humanos quando olham para trás e pensam no que foi o seu percurso de vida.
Regina

O Último Livro

Um cliente da livraria Papyrus morre sem causa aparente enquanto folheia um livro. O inspector Lukic é chamado a tomar nota da ocorrência. No espaço de poucos dias as mortes sucedem-se e Lukic, grande amante de literatura, vê-se confrontado com um livro mortífero, um novo amor, a interferência dos serviços secretos; e tem ainda de lidar com os seus mais íntimos fantasmas.
A um ambiente de suspense e investigação, junta-se o fantástico e a explicação para estas mortes será tudo menos simples.
Segundo livro de Zoran Zivkovic a chegar até nós, o Último Livro é de leitura compulsiva.
Regina

sábado, 23 de abril de 2011

Mensagem do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Autoria de Urbano Tavares Rodrigues

Dia 23 de Abril de 2011

Dos mais antigos e preciosos manuscritos, por vezes maravilhosamente iluminados, ou seja cobertos de ricas ilustrações, à descoberta da imprensa, que inicia um processo de democratização da leitura, ao aparecimento dos primeiros jornais, ainda de reduzida circulação, ao surto da imprensa moderna, o livro, de começo destinado a um escol de leitores, não tarda a chegar às massas devido ao ruído social e até ao escândalo de obras como as de Victor Hugo, que trazem ao público o milagre, o mistério, a aventura prodigiosa.

O Germinal e outras obras de Zola foram extremamente motivadoras para a conquista de um círculo muito abrangente de leitores. Só tarde se vulgarizou o subproduto romanesco, a partir de obras com certa qualidade, que foram imitadas, vulgarizadas, estereotipadas.

O livro, que às vezes provinha do folhetim, ganhou cor, beleza, tornou-se umas vezes discreto, outras vezes berrante para chamar a atenção do público mais simplório. Suportou a concorrência do cinema e da televisão, com os quais estabeleceu relações íntimas de interpenetração.

Já muito mais tarde sofreu a concorrência da Internet e resistiu-lhe. O modelo de globalização neo-liberal, que não afecta a grande literatura, marcou profundamente os subprodutos muito vendáveis, contendo lixo literário. Há por vezes o que parece ser uma concessão a processos um pouco fáceis de sedução do leitor. Mas continua a fazer-se muito boa literatura. A digitalização dos livros lançados na Internet preocupa alguns puristas, mas a verdade é que o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos ou é enfiado debaixo do travesseiro, companheiro querido, onde por vezes se escrevem anotações, juízos, comentários, críticas ou pequenos elogios, que o valorizam aos olhos dos bibliófilos.

O livro tornou-se um amigo, foi nele que em muitos casos, nos descobrimos, com ele crescemos e nos transformamos, permanecendo fiéis ao mais profundo da nossa natureza. Lembro-me sempre do que foi para mim, como descoberta íntima do meu ser, a leitura de L’exile et le royaume, de Albert Camus. Camus, de quem vim a tornar-me amigo, morreu cedo, abruptamente, num acidente de automóvel. Restam-me dele retratos e os seus livros, palpitantes de vida, anotados por mim, desde O mito de Sísifo, que traduzi para português, aos outros, tão vivos, alguns cobertos de gatafunhos como La chute, que me inspirou o comportamento de um mentiroso compulsivo numa curta novela.

A terminar esta breve série de considerandos sobre o livro, a sua trajectória no tempo, a sua magia glorificada como resistência do espírito, que é e será contra a barbárie economicista, que reduz tudo a dinheiro. Desejo que brilhe com a suprema luz da paz e da fraternidade universal este novo dia do livro.

Urbano Tavares Rodrigues

Via blogue do Encontro Livreiro.