segunda-feira, 23 de maio de 2011

Reflexos num olho dourado

Carson McCullers fala-nos da vida de dois oficiais e suas respectivas esposas numa base militar americana, na Georgia, e das tensões provocadas pelo isolamento e por uma vida guiada pelas aparências. De um lado, o capitão Penderton, um homem rígido, sério e frio, e a sua mulher, Leonora, uma mulher descontraída, simples, jovial e intelectualmente "limitada". Do outro, o major Langdon, sedutor e confiante, e Alison, uma pessoa desequilibrada, insegura, desconfiada, encerrando em si duras mágoas, sempre acompanhada do seu excêntrico e excessivo criado filipino. A presença do estranho soldado Williams irá abalar as convicções e a estabilidade aparente destes protagonistas. Neste breve romance são abordadas as questões relativas a impulsos que se sentem, mas devem ser retraídos e consequentes sentimentos contraditórios; à infelicidade como motor do desequilíbrio psicológico, social e afectivo; à tragédia como resultado de todos estes factores.
Com uma escrita acessível, a autora transporta-nos para um meio rígido, permitindo-nos sentir a pressão e o desconforto sentido pelos personagens, levando-os a tomar atitudes extremas e, até, irracionais.

Patrícia

sábado, 21 de maio de 2011

O Legado de Wilt

Terão algum dia fim os problemas de Wilt? A avaliar por estas novas desventuras podemos assegurar que não. Tom Sharpe, considerado um dos romancistas com mais humor da actualidade, apresentou-nos Henry Wilt no ano de 1976 e desde aí já foram vários os títulos desta saga.
O protagonista é agora professor na área da informática apesar de continuar a ser o mesmo personagem dos anos 70. As complicações familiares vêem-se agravadas pela exuberância das gémeas quadruplas em plena adolescência e os problemas com a polícia rapidamente irão surgir.
Sem a frescura do primeiro título esta é, no entanto, uma leitura que nos diverte e que nos traz à memória aquilo que a vida e a sociedade costumavam ser há alguns anos.

Regina

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Ilha

Neste breve conto cabem emoções enormes, escritas de forma belíssima e subtil. É a história de um pai doente, caminhando a passos largos para a morte, e de um filho em constante sobressalto devido à vulnerabilidade do pai, temendo o seu fim iminente. A acção decorre na ilha natal do pai, como se de uma despedida se tratasse, e esta viagem proporciona uns dias de partilha e de diálogo entre pai e filho, o que não tinha até então surgido de outro modo. Sentimentos contraditórios coexistem, num constante jogo de cuidados - não ferir susceptibilidades, não entristecer, não ser um fardo - enfim, uma tentativa constante de dissimular e/ou de tentar descortinar emoções sem ofender o outro, ocultando mágoas profundas. É uma oportunidade de libertar o que nunca foi dito, que poderá ou não ser aproveitada.

Lê-se num ápice; é triste; mas é intenso e vale a pena.

Patrícia

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Man Booker International Prize 2011


Philip Roth é o vencedor deste ano! Para quando o Nobel?
Não é necessário dizer mais...


Por cá A.M.Pires de Cabral venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco com o livro O Porco de Erimanto. O prémio é atribuído pela APE.

Mães e Filhos

Após a minha estreia neste autor com o romance Brooklyn, a segunda incursão foi por este livro de contos em que os protagonistas são sempre mães e os seus respectivos filhos ( homens).
A extensão dos contos é variável indo de menos de dez páginas até à volta de cinquenta, no entanto as nuances dos relacionamentos mãe/filho são uma constante ao longo do livro. Relações quase sempre difíceis, de incompreensão mútua, de algum ressentimento, em que as mulheres são maioritariamente o elemento unificador da família. Também a dureza e frieza emocional destas em contraste com a desorientação dos filhos são frequentes.

Numa escrita objectiva mas muito subtil, este novo livro do Irlandês cuja escrita tem vários prémios atribuídos, toca-nos pela sua temática e abordagem.
Regina

terça-feira, 17 de maio de 2011

Planeta Tangerina


A Planeta Tangerina soma e segue.
O livro O Mundo num Segundo em edição Espanhola, da autoria de Isabel Minhós Martins e ilustrado por Bernardo Carvalho recebeu o prémio para melhor livro para crianças e jovens do Banco del Libro.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Deixem Falar as Pedras

O que é a verdade? De que são feitas as memórias? O que nos faz aquilo que somos? Algumas das muitas interrogações com que o mais recente romance de David Machado nos confronta. A história de Nicolau Manuel existe na sua cabeça como de facto aconteceu ou é um conjunto de invenções e situações imaginadas?
No dia em que ia casar com Graça, a polícia prende-o e a sua vida nunca mais estará nas suas mãos. Meio século mais tarde o que o mantém vivo é a ânsia de poder explicar a Graça o motivo do desencontro de uma vida. Valdemar, o seu neto e o seu ouvinte mais atento, tenta devolvê-lo à realidade com a notícia da morte Amadeu Castelo o inimigo de sempre, mas o mundo de Nicolau Manuel já é outro...

A história da segunda metade do século XX em Portugal chega-nos em alternância com os problemas de Valdemar - um adolescente obeso, apaixonado pela sua amiga que sofre de anorexia, no formato de um relato escrito num caderno, com rasuras incluídas, e cujo objectivo é repor a verdade, num romance que nos confirma mais um excelente jovem autor Português.
Regina

sábado, 14 de maio de 2011

Namora uma rapariga que lê

Viajando pela blogosfera, entrámos n'O Jardim Assombrado onde encontrámos este texto de Rosemary Urquico, por sua vez encontrado no blogue de Cynthia Grow. E achámos por bem partilhar...
(Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril).


"Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde os doze anos.

Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.

Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.

Oferece-lhe outra chávena de café com leite.

Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.

É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.

Ela tem de arriscar, de alguma maneira.

Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.

Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.

Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.

Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.

Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.

Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.

Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.

Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

Cata Livros

Há um novo sítio na internet dedicado à literatura infantil:
o
Cata Livros.

É um projecto da Casa da Leitura, Fundação Calouste Gulbenkian, com coordenação de João Paulo Cotrim. Aí se encontram sugestões de leitura, de actividades em torno do livro e até jogos, num site dinâmico e interactivo.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Prémio Camões 2011


Manuel António Pina foi agraciado com o Prémio Camões, o mais importante da Língua Portuguesa. Este autor tem-se destacado em várias vertentes literárias, nomeadamente enquanto cronista, poeta e escritor de livros infanto-juvenis, tendo também publicado uma obra de ficção.

Leia mais no Público.

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Livro do Sapateiro


Mais um prémio para Pedro Tamen e o seu Livro do Sapateiro. Desta feita foi o Grande Prémio APE de poesia.

sábado, 7 de maio de 2011

Contos Carnívoros


O belga Bernard Quiriny presenteia-nos com uma extensa série de contos bastante breves e algo invulgares. São pequenas histórias que contêm ou elementos fantásticos ou ironia, desde mulheres-laranja a meninos-demónio, intercalados com crónicas musicais e literárias e homicídios em circunstâncias invulgares. Muitas delas deixarão o leitor com um sorriso na cara quer pela loucura do relato, quer pela frustrante, logo, irónica resolução da história.

Patrícia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Questão Finkler

Vencedor do Prémio Booker de 2010 Howard Jacobson é considerado por muitos o Philip Roth inglês e de facto alguns dos temas tratados, pelo menos neste livro, são comuns, tendo, no entanto, a diferença de abordarem a problemática judia em contextos de sociedades bastante diferentes. Julian Treslove é um homem de meia idade cuja vida é um conjunto da fracassos e cujo modelo é Samuel Finkler, judeu e seu amigo de infância. A história de Treslove é uma relação de amor/ódio com Finkler e com o que ele representa, tendo como expoente máximo a sua ânsia em passar a fazer parte do mundo judeu a que este pertence. Personagem que sempre se sentiu excluído e sem rumo, pensa ter encontrado o seu caminho ao conhecer Hephzibah mas as circunstâncias irão demonstrar que neste mundo nada é simples e linear. As questões políticas, históricas, sociais e culturais envolvendo a comunidade judia pelo mundo e mais concretamente no Reino Unido do século XXI são aqui expostas com pertinência e muito humor ( o típico humor judeu).
Regina

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Lulu e o Brontossauro

Escrito por Judith Viorst e ilustrado por Lane Smith, autor de É um Livro sobre o qual escrevemos há uns dias, este livro traz-nos a história de Lulu uma menina bastante malcriada, que está habituada a ver todas as suas vontades satisfeitas até ao dia em que decide que quer ter como animal de estimação um Brontossauro. É aí que se dá uma viragem na vida dela e nada voltará a ser como dantes.
De leitura compulsiva, escrito com muito humor, ainda somos presenteados com várias possibilidades de finais e com ilustrações muito divertidas e artísticas. De salientar também a tradução de Carla Maia de Almeida.
Um livro para os mais pequenos mas que tem a capacidade de agradar, e muito, também aos mais crescidos.
Regina

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ernesto Sábato

Morreu no sábado o escritor Argentino Ernesto Sábato. O autor de 99 anos, era um dos maiores nomes da literatura deste país, foi Prémio Cervantes em 1984 e tem uma extensa obra publicada.