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Foi hoje atribuído o Prémio Príncipe das Astúrias ao músico e poeta Leonard Cohen.
Ponto Ómega foi a obra da minha iniciação nesse fenómeno da literatura Americana contemporânea que é Don DeLillo. Só um grande escritor consegue dizer tanto com tão pouco: estamos perante um livro de 120 páginas, que se lêem num ápice e que é, no entanto, extremamente poderoso.
O mais recente livro de Mário de Carvalho é composto por dez contos, distribuídos por quatro partes, tendo os dois primeiros como tema viagens e explorações no ambiente exótico do continente Africano. Na segunda parte os contos têm uma vertente política de luta anti-fascismo no Portugal anterior ao 25 de Abril. Nas duas últimas partes do livro o conteúdo muda radicalmente e as histórias são repletas de surrealismo, delírio e crueldade. Tudo isto servido numa linguagem cuidada que, apesar da sua clareza e simplicidade, nos devolve um português riquíssimo que não é, infelizmente, habitual lermos.
Teresa é uma adolescente desenraizada numa América em que a diferença nem sempre é fácil de vivenciar. Angel é o seu único amigo e o facto de ser Brasileiro e também homossexual não são uma mais valia na integração de ambos na grande cidade que é Nova Iorque. O tema da imigração na actualidade, das transformações próprias da adolescência, da dor da perda dos que amamos, fazem deste novo romance de Richard Zimler uma boa aposta para leitores mais jovens - adolescentes e jovens adultos. As referências musicais e cinematográficas são, no entanto, muito mais clássicas do que poderíamos julgar num livro cujos protagonistas são dois jovens. Os Beatles e concretamente John Lennon são uma constante e daí que eu teria apreciado a manutenção do título original: Strawberry Fields Forever.
Qual é o seu tipo de personalidade? O que o move? Com quem deve relacionar-se? Eis algumas das perguntas para as quais encontrará resposta neste livro, após fazer o teste de personalidade nele constante.
Carson McCullers fala-nos da vida de dois oficiais e suas respectivas esposas numa base militar americana, na Georgia, e das tensões provocadas pelo isolamento e por uma vida guiada pelas aparências. De um lado, o capitão Penderton, um homem rígido, sério e frio, e a sua mulher, Leonora, uma mulher descontraída, simples, jovial e intelectualmente "limitada". Do outro, o major Langdon, sedutor e confiante, e Alison, uma pessoa desequilibrada, insegura, desconfiada, encerrando em si duras mágoas, sempre acompanhada do seu excêntrico e excessivo criado filipino. A presença do estranho soldado Williams irá abalar as convicções e a estabilidade aparente destes protagonistas. Neste breve romance são abordadas as questões relativas a impulsos que se sentem, mas devem ser retraídos e consequentes sentimentos contraditórios; à infelicidade como motor do desequilíbrio psicológico, social e afectivo; à tragédia como resultado de todos estes factores.
Terão algum dia fim os problemas de Wilt? A avaliar por estas novas desventuras podemos assegurar que não. Tom Sharpe, considerado um dos romancistas com mais humor da actualidade, apresentou-nos Henry Wilt no ano de 1976 e desde aí já foram vários os títulos desta saga.
Neste breve conto cabem emoções enormes, escritas de forma belíssima e subtil. É a história de um pai doente, caminhando a passos largos para a morte, e de um filho em constante sobressalto devido à vulnerabilidade do pai, temendo o seu fim iminente. A acção decorre na ilha natal do pai, como se de uma despedida se tratasse, e esta viagem proporciona uns dias de partilha e de diálogo entre pai e filho, o que não tinha até então surgido de outro modo. Sentimentos contraditórios coexistem, num constante jogo de cuidados - não ferir susceptibilidades, não entristecer, não ser um fardo - enfim, uma tentativa constante de dissimular e/ou de tentar descortinar emoções sem ofender o outro, ocultando mágoas profundas. É uma oportunidade de libertar o que nunca foi dito, que poderá ou não ser aproveitada.
Após a minha estreia neste autor com o romance Brooklyn, a segunda incursão foi por este livro de contos em que os protagonistas são sempre mães e os seus respectivos filhos ( homens).
O que é a verdade? De que são feitas as memórias? O que nos faz aquilo que somos? Algumas das muitas interrogações com que o mais recente romance de David Machado nos confronta. A história de Nicolau Manuel existe na sua cabeça como de facto aconteceu ou é um conjunto de invenções e situações imaginadas?