segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Parente Mais Próximo

John Boyne é o autor do fantástico livro juvenil O Rapaz do Pijama às Riscas, livro de uma delicadeza e sensibilidade extremas e que recebeu, merecidamente, vários prémios internacionais. O parente mais próximo é o seu mais recente romance editado em boa hora entre nós pela Ulisseia.
A família Montignac, uma família Inglesa rica e poderosa, vive,  nos anos que medeiam a primeira e a segunda guerra mundial, uma série de perdas que se iniciam com a morte do filho mais velho na guerra e culminam na morte súbita do patriarca Peter. Este acontecimento irá evidenciar um mal-estar entre os sobreviventes da família que a leitura do testamento irá agudizar.
Numa trama que pode ter como primeira leitura a de uma história policial, somos envolvidos naquilo que é  uma história romântica, uma crítica social,  mas que é acima de tudo um tratado sobre até onde chegam os nossos limites e a nossa consciência quando o que está em questão são as nossas ambições e em última análise as nossas vidas.
Lê-se de um fôlego.
Regina

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Apogeu de Miss Jean Brodie

Ninguém ficou imune ao apogeu de Miss Jean Brodie, nem no livro nem aquando da sua leitura. O grupo Brodie é composto por 5 raparigas, em tudo distintas umas das outras, que tem como ligação a escolha que a professora fez ao decidir que estas eram as que mostravam o melhor potencial. E a influência de Miss Brodie faz-se sentir de imediato no comportamento destas alunas dentro e fora da escola. O seu trabalho não se cinge a contar-lhes as histórias da sua vida, elas são depositárias das suas esperanças, dos seus sonhos e também das suas manipulações. Mas chegadas as relações a determinados pontos podemos questionar quem domina e influencia quem.
Numa escrita repleta de ironia, frases com significados escondidos, indícios que umas vezes se confirmam e outras não, a protagonista é tudo menos uma heroína e aquilo que à priori nos parecia ser não é. O que se mantém ao longo deste que tem sido considerado o melhor livro de Muriel Spark, é uma sensação de opressão, de incompreensão entre personagens, muitas vezes provocada por códigos de etiqueta e educação obsoletos, e a pergunta "afinal o que foi o apogeu de Miss Brodie?"
Regina

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Nariz

Como pode um nariz ser tema para um livro? Nikolai Gógol, ele próprio possuidor de um nariz de dimensões titânicas, faz o relato da busca que Kovaliov teve de realizar quando um dia ao acordar, e para confirmar a presença de uma borbulha que tinha surgido na véspera, descobre que o seu nariz desapareceu deixando um rosto perfeitamente cicatrizado mas impossível de apresentar em sociedade.
Num pequeno conto que a par com as situações nonsense e surreais nos dá a conhecer as peculiaridades da sociedade de São Petersburgo,  Gógol, que se crê fosse hipocondríaco, tece em simultâneo um hino e um tratado humorístico ao nariz.
Regina

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O seu lado clandestino

Che é um rapazinho de quase oito anos que foi criado pela avó, em Nova Iorque. Sobre os seus pais - activistas radicais, estudantes de Harvard,  - sabe aquilo que lhe contaram. Até que, um dia, a sua mãe vai buscá-lo e (espera ele) irá levá-lo a ver o pai. É o dia que Che mais aguardara. Contudo, as coisas não correm como ele sonhara e passa a viver na clandestinidade, começando a descobrir que não pode confiar em toda a gente e que nem tudo o que parece é, especialmente num mundo que não é o seu.
Por meio de uma escrita não linear em termos cronológicos, Peter Carey (vencedor por duas vezes do Booker Prize) situa-nos na América dos anos 60 e 70, mas essencialmente consegue transmitir sentimentos e sensações intensas, embrenhando também o leitor nesta fuga até chegar à selva tropical australiana, sempre receando que o desfecho seja trágico. O protagonista é um personagem adorável e extremamente bem conseguido, que nos cativa e que queremos ansiosamente ver estabilizado e em segurança.

Patrícia

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Último Homem na Torre

No segundo romance de Aravind Adiga lemos a história de um grupo de pessoas, habitantes de um edifício pertença de uma cooperativa,  a quem é feita uma proposta irrecusável para abandonarem o prédio. Nesta pequena e aparentemente unida comunidade começam então a surgir os problemas quando alguns elementos decidem recusar a oferta do construtor Dharmen Shah.
O autor fala-nos de uma Bombaim em crescimento descontrolado, em que as disparidades económicas e sociais são imensas e numa sociedade que à conta de uma possibilidade de subir na vida se deixa dominar pela ganância e permite que os fins justifiquem todos os tipos de meios. Um mosaico de personagens que mostram o que de melhor e de pior existe em cada um de nós e que acabam por nos interpelar acerca da importância que algumas situações têm nas nossas vidas.
Numa escrita fluída e objectiva, as ideias que atravessam este livro não deixam por isso de ser de grande importância e complexidade. 

Regina

sábado, 9 de julho de 2011

Sugestões de Leitura para o Verão






O Céu Existe Mesmo, Todd Burpo e Lynn Vincent - Lua de Papel - 14,90€





Onde Moram as Sombras, Michael Ridpath - Editorial Presença - 18,90€




Uma Mulher Diferente, Penny Vincenzi - Porto Editora - 17,60€

quarta-feira, 6 de julho de 2011

FLIP


É hoje que tem início a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) na sua nona edição.
Aqui poderá ficar a saber tudo o que se vai passar.

terça-feira, 5 de julho de 2011

No Meu Peito Não Cabem Pássaros

O romance de estreia de Nuno Camarneiro relata em alternância três histórias de três homens muito diferentes e no entanto tão semelhantes nas suas buscas, nas suas solidões e nas suas dúvidas.
O tempo do livro é o da passagem do cometa Halley pela Terra no ano de 1910, fenómeno assustador, numa época de grandes mudanças mundiais.
A escrita é de um grande lirismo e rigor. As questões que fazem o íntimo dos personagens transmitem uma melancolia, um desespero, uma angústia que estão expressos na perfeição nas frases maioritariamente curtas e intensas empregues.
Regin
a

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ada ou Ardor

Num registo que passa frequentemente pelo fantástico, Vladimir Nabokov traz-nos a história de Ada e Van num amor incestuoso, num território que é às vezes a Rússia, às vezes a América, que passa pela Europa e que se desenrola num período de quase um século.
Livro de leitura complexa e multifacetado que nos fala de um tempo que acabou e que é também muitas vezes imaginado e imaginário. Ada ou Ardor é repleto de referências literárias, filosóficas e históricas o que permite a compreensão apenas para aqueles cuja bagagem nestas áreas seja grande. É também uma obra em que a miscelânea de línguas usadas retrata a realidade de uma sociedade que era multicultural e viajada.
Compreende-se que seja o livro pelo qual o autor queria ser lembrado após a sua morte: há um extremo domínio da escrita, do pensamento racional e uma compreensão da vida que implicam grandes vivências.
Regina

sábado, 2 de julho de 2011

Top 2º trimestre - Abril a Junho

Há algum tempo que não apresentávamos o nosso top de vendas... Desta vez decidimos fazê-lo relativamente aos últimos 3 meses:

Romance Estrangeiro




































Infanto-Juvenil

































(Embora este seja um livro

para todas as idades...)




Diversos
























sexta-feira, 1 de julho de 2011

O pintor debaixo do lava-loiças

Sors é um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro-Húngaro. É uma personagem criada a partir de uma pessoa real, cuja história de vida inspirou Afonso Cruz a escrever este romance. Desde criança que Sors gostava de desenhar - particularmente olhos abertos e olhos fechados. Achava que se vivesse sem distracções que pudessem causar a sua dispersão, podia ir mais longe na vida, aperfeiçoar-se (assim como aconteceria com as árvores: se não cortássemos os seus ramos, cresceriam muito mais, mas na vertical). Obviamente que as distracções vão surgindo e esta estranha, contudo interessante e filosófica personagem terá que lidar com elas da melhor forma.
Uma história de encontros, desencontros, fugas, remorsos, pequenas e grandes tragédias, mas sempre com o culto da palavra bem presente, como o autor nos tem habituado. Rico em jogos de palavras, recursos estilísticos, proporcionando-nos diversos momentos de reflexão, este romance lembra em muitos aspectos A Boneca de Kokoschka, embora seja distinto em tantos outros, prendendo o leitor, que mal se apercebe que chegou à última página.

Patrícia

quinta-feira, 30 de junho de 2011

És um animal, Viskovitz!

Neste livro estão reunidas uma série de histórias breves em que o personagem Viskovitz surge sob a pele de diversos animais. Quer seja um rato, um escorpião, um pinguim, um caracol ou um insecto desprezível, adopta sempre os comportamentos dessa espécie e corre sempre em busca do amor de Ljuba. Não obstante, mantém-se "humanizado" e as histórias de Viskovitz acabam por ser histórias acerca de pessoas, pois que são uma analogia de situações do nosso dia-a-dia. Tudo isto com algum vocabulário científico e bastante sentido de humor, ideal para uma leitura descontraída e em paralelo a outra.
Patrícia

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Violino de Auschwitz

Esta é a história de Daniel, um luthier que sobreviveu a Auschwitz. Começando por trabalhar como carpinteiro, pouco depois o comandante do campo descobre a sua verdadeira profissão e, portanto, encomenda-lhe um violino cujo som terá de ser perfeito. Daniel vê nesta situação uma oportunidade de ganhar alguma importância (ou de se tornar menos insignificante) para o comandante, o que lhe dá alguma esperança. Para além disso, as manhãs que passa empenhado na construção do violino proporcionam-lhe um imenso prazer, quase capaz de o fazer esquecer as agruras e a violência do seu dia-a-dia. Um livro breve sobre a salvação através da arte e sobre o próprio amor à arte, no seio de um campo de concentração. Um contraste entre a beleza e o horror, que deixam o leitor preso à história.

Patrícia

terça-feira, 28 de junho de 2011

Grande Prémio de Romance e Novela APE

O Grande Prémio de Romance e Novela APE foi atribuído ao livro Uma Viagem à Índia de Gonçalo M. Tavares.
Este mesmo livro já tinha sido distinguido com o Prémio Melhor Narrativa Ficcional 2010 também pela APE e com o Prémio Especial de Imprensa Melhor Livro 2010 Ler/Booktailors.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Novidades

As novidades infanto-juvenis continuam a chegar à K de Livro e esta é muito divertida e com ilustrações irresistíveis...



Sabes que também podes ralhar com os teus pais? Texto de Maria Inês de Almeida e ilustrações de Paulo Galindro. Edição da Booksmile